Minhas origens

Sempre batalhei muito, desde cedo, pelo que acredito. Mulher, mãe de três filhos, avó, socióloga, feminista e progressista. Adotei Brasília como minha cidade há 25 anos, desde que me casei com meu companheiro de vida, o Marcelo. Sou de fé cristã protestante presbiteriana. Venho de uma família nordestina, pais e avós, com grande orgulho: gente simples, que lutou com muito trabalho, a vida toda, e que nutriu em meu caráter valores essenciais como o respeito ao próximo, a solidariedade, a integridade e o amor ao meu País. 

Trajetória profissional

Compreendi, ainda na juventude, que precisava me afirmar para ocupar os lugares que legitimamente aspirasse alcançar. Aliás, este é um direito constitucional que busco fazer valer, efetivamente: mulheres precisam ocupar mais espaços, mais posições de liderança, na política e nas instituições, para exercer plenamente o seu potencial. Como mãe, mulher e trabalhadora trilhei minha trajetória enfrentando a múltipla jornada comum à maioria das cidadãs do nosso País. Foi assim que fui construindo meus espaços de liderança em uma carreira nacional no Terceiro Setor pelo fomento ao empreendedorismo, como estratégia de inclusão social e econômica, assim como atuando no campo da educação profissional, das políticas públicas para mulheres, dos direitos humanos e humanitário. Com mais de 30 anos de dedicação à vida pública e acadêmica, sempre me engajei de forma cidadã. 

Paixão pelo conhecimento 

Na minha caminhada, aprendi que a educação é essencial para fazer florescer toda a nossa capacidade. O conhecimento é minha grande paixão: tanto adquirir quanto compartilhar. Por isso, trilhei uma rica vida acadêmica. Sou graduada em Sociologia, com Bacharelado e Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Concluí uma pós-graduação em Planejamento e Administração de Recursos Humanos pela Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE. Segui então para um mestrado na Inglaterra como bolsista selecionada pelo reconhecido Programa Chevening, do Governo Britânico, voltado a apoiar líderes que farão a diferença no mundo, tendo alcançado o Prêmio “Top Student” com a média geral mais alta em minha turma, de mais de 70 alunos do mundo todo. Lá, na conceituada University of Bradford School of Management, tornei-me Mestra em Administração, com ênfase em Marketing, e, anos mais tarde, obtive o título de Doutora em Gestão e fiz, ainda, Pós-graduação em Métodos Avançados de Pesquisa. O conhecimento adquirido na minha trajetória me levou a ser professora em várias instituições de ensino superior do País.

A Política como vocação

Sou mobilizada pela política como instrumento coletivo para a construção de um mundo melhor. Atuei como Secretária-Adjunta de Mulheres, Direitos Humanos e Igualdade Racial e como Subsecretária de Políticas para Mulheres do Distrito Federal, órgão à frente de políticas públicas de defesa e promoção dos direitos das mulheres. Enquanto atuei no Governo do Distrito Federal, tive a honra de ser eleita delegada em 2017 para a 1ª. Conferência Distrital de Saúde das Mulheres. Na conferência, fui eleita como uma das delegadas representantes do DF na 2ª. Conferência Nacional de Saúde das Mulheres no mesmo ano. Com entusiasmo, participei diretamente da construção de propostas de políticas públicas voltadas às mulheres por meio do aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde – SUS. 

Descobri que meu avô materno, figura popular, motorista de táxi no interior do Rio Grande do Norte, foi candidato a vereador quando eu ainda nem era nascida. Outra figura de muita influência política em minha vida foi o primo, por parte de pai, Dom Robinson Cavalcanti, já falecido, Bispo da Igreja Anglicana, advogado, autor de diversos livros e Professor de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Dom Robinson foi candidato a Deputado Estadual, em 1982, pela oposição ao Regime Militar, e participou das campanhas pela Lei da Anistia e pelas Diretas Já. Foi Presidente da OMEB – Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil – Secção de Pernambuco, e um dos idealizadores e membro da primeira diretoria nacional do MEP – Movimento Evangélico Progressista.

Desde adolescente e depois nos tempos da universidade, no curso de Sociologia, em Recife, participei de movimentos de estudantes e fui às ruas pelas “Diretas Já” para a redemocratização no País. Ingressei pela primeira vez em uma legenda em 2009, no Partido Verde do DF. Atraída por tantos pontos de convergência com a então Senadora Marina Silva, cheguei a ser pré-candidata ao Governo de Brasília. Ajudei na construção e fundação da Rede Sustentabilidade, ao lado de Marina e outros (as) companheiros (as), mas, com a recusa do registro do novo partido junto ao TSE, acompanhei Marina e migrei para o PSB – Partido Socialista Brasileiro em 2013 onde exerço minha militância política até os tempos atuais.

Em 2018, pela primeira vez, fui candidata a Deputada Distrital pelo PSB-DF, atingindo 1.104 votos, ficando na posição 213ª. do ranking de votos dentre os 981 candidatos. Meu lema de campanha foi “Por uma Vida Melhor na Nossa Cidade”. Foram dias de muito trabalho em conjunto e união. Não fui eleita, infelizmente. Mas, para uma primeira candidatura, sem experiência anterior e sem maiores recursos financeiros, fazendo tudo de forma ética e honesta, considero que saí vencedora e mais forte. Minha campanha foi do “verbo”, não da “verba”. A caminhada não acabou. Continuo lutando pelas causas que acredito, que vão diretamente contribuir para uma vida melhor na nossa cidade.

Causas prioritárias

No topo das minhas prioridades sempre esteve o enfrentamento às violências contra as mulheres, contra as desigualdades sociais, de gênero e raça, enfim, na militância pelos direitos humanos. Para mim, esta é uma questão fundamental por isso merece destaque, mas há outras batalhas também importantes. Entre elas: promoção da autonomia econômica local com fomento ao empreendedorismo, com foco na economia criativa e solidária; a inovação na política; redução das violências; ampliação e melhoria das condições de mobilidade da população, otimização na aplicação dos recursos na saúde e elevação dos padrões de atendimento; oportunidades de formação e trabalho para jovens e a proteção e promoção da sustentabilidade ambiental. Em síntese, meu manifesto como cidadã é por integridade, respeito e transparência. 

Por que sou feminista

Percebo que ainda há barreiras sociais e culturais grandes a se superar, mas que as mulheres estão em movimento. A luta pelos direitos humanos das mulheres deve ser diária e travada em casa no trabalho, na rua, sem trégua. Precisamos ocupar mais espaços, mais posições de liderança na política e nas instituições, para exercermos, plenamente, nosso potencial. Fiquei muito feliz com a determinação do TSE em destinar 30% do fundo eleitoral e tempo de mídia às candidaturas femininas. O desafio é fazer essa representatividade chegar ao Congresso, onde as parlamentares não chegam nem a 11%, mesmo sendo a maioria do eleitorado. O Brasil está na 115ª posição no que se refere a participação das mulheres na política num universo de 138 países. Somos 46% da força de trabalho, mas ganhamos em média 30% a menos que os homens. Em relação à equidade de gênero, os brasileiros estão muito atrasados. Por outro lado, avançamos em outras áreas. Não se trata de competição, mas estudamos mais que os homens e 45% dos lares são mantidos por mulheres.

Ocupar espaços

Percebo muitas oportunidades para ocuparmos um espaço mais qualificado na política no Distrito Federal e no País como um todo. Não só precisamos marcar presença também na política, mas, principalmente, na política. Se nos ausentarmos, qualquer mudança será muito mais difícil. Os homens devem ser nossos aliados, muito embora muitos ainda nos veem, sim, como inferiores e incapazes. Só uma mulher para entender de fato a outra e o legislativo precisa dessa representação. Temos um espaço a ocupar e não podemos mais perder tempo.

Quero fazer parte da transformação

Minha trajetória de vida, sempre pautada por lutas, conquistas e ações voltadas ao bem comum, me habilitou a contribuir na esfera da política, terreno que precisa definitivamente ser ocupado por mais mulheres brasileiras. O tempo é este. Desejo fazer parte desta transformação.

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