É notório que estamos esgotadas (os) após 1 ano de pandemia com tantas perdas humanas, lutos, medos, estresses e com consequências sociais e econômicas tão graves em nosso País e no Distrito Federal. Entendo e defendo a necessidade de sobrevivência das empresas e das (os) empreendedoras (es) neste trágico momento para todas (os). O que está acontecendo agora, sejamos honestas (os), é fruto da total irresponsabilidade e descaso com a saúde e as vidas humanas e da falta de gestão da saúde de autoridades públicas tanto na esfera do Governo Federal como do GDF.

Temos o direito democrático, sim, de protestar contra aquilo que julgamos errado. Mas, confesso, estou assustada com a aglomeração de pessoas, muitas sem máscaras, para protestar contra o lockdown em Brasília, na manhã deste último domingo de fevereiro, neste momento crítico da pandemia em que a taxa de ocupação dos leitos na rede pública de saúde é de mais de 97%. Estamos diante do esgotamento da estrutura de saúde do DF. Infelizmente, esse evento poderá colaborar para maior proliferação do coronavírus e suas novas cepas colocando em risco a vida de milhares de pessoas no Distrito Federal.

Diante da omissão, diante dos supostos desvios de recursos públicos da saúde e da falta de medidas adequadas para conter o avanço da pandemia no DF, restou, para sofrimento das pessoas, particularmente as mais vulneráveis, a medida mais amarga: o lockdown.

Compreendo perfeitamente o desespero das (os) empreendedoras (es) do DF, pois, ao final, são elas (es) que promovem o desenvolvimento local, geram empregos e geram renda. Os riscos que se corre em um empreendimento de forma geral são enormes. Não raramente os empreendimentos fecham. Aqueles que investiram suas economias costumam perder tudo. Convivi de perto com a realidade de empreendedoras e empreendedores, como profissional de carreira do SEBRAE, por quase 30 anos. Porém, neste momento, precisamos ser solidários à vida e agirmos como coletividade, pensando nas soluções que podem impactar o todo, não apenas alguns segmentos afetados. O GDF, precisa, no meu entender, promover quatro medidas urgentes neste momento:

  1. Disponibilizar imediatamente auxílio emergencial para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade no DF;
  2. Adquirir em quantidade suficiente, para atender a população como um todo, doses de vacinas contra a covid-19 e acelerar o processo de vacinação;
  3. Manter, neste momento em que a rede hospitalar se encontra em colapso, rígido lockdown, evitando-se as preocupantes aglomerações que têm sido causa da escala de contaminação e geração de novas cepas;
  4. Implementar imediatamente políticas públicas de socorro e apoio as (os) empreendedoras (es) locais, enquanto perdurarem os efeitos da pandemia.

Propostas de medidas para o GDF prestar socorro emergencial às (os) empreendedoras (es):

  • Suspensão na cobrança de taxas e impostos;
  • Paralisação da cobrança de parcelas de empréstimos no sistema financeiro;
  • Congelamento de pagamentos de fornecedores;
  • Suspensão de quaisquer processos de protestos e execuções judiciais;
  • Criação de medidas legais para postergar o pagamento de aluguéis e taxas;
  • Dilatação de prazos para pagamentos de INSS, PIS, COFINS, FGTS, etc;
  • Ampliação de linhas de crédito e microcrédito com condições específicas para este momento;
  • Realização de programas de capacitação digital gratuitos para empreendedoras (es) se engajarem em plataformas digitais ou aplicativos de vendas online.

Obviamente que tais medidas precisam de uma concertação nacional envolvendo os governos federal, estadual, municipal e distrital. Afinal, estamos em uma situação de guerra, em que lutamos pela vida.

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